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Professor
Universitário de Marketing e Psicologia do Consumidor Consultor
de Marketing Educacional e Pesquisa Científica |
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publicado em: Veiga-Neto, A.R. (2001) Universidade Particular
x Universidade Corporativa - Revista Ensino Superior. jun./2001,
p. 34-36
Universidade
Particular x Universidade Corporativa
Além de ser um
tema que está sendo muito comentado atualmente, a universidade
corporativa nos faz refletir permitindo uma avaliação das
estratégias de marketing adotadas pelas universidades
particulares. Para que essa reflexão ofereça o resultado
esperado é importante deixar de lado a parte mais popular do
marketing, ou seja, aquela que se preocupa com a divulgação e
imagem da instituição. Essa idéia simplória de que marketing
tem a ver apenas com divulgação acaba por confundir e
atrapalhar as decisões estratégicas dos administradores de
universidades particulares. Isso se verifica em muitas instituições
que direcionam esforços excessivos na captação de
vestibulandos e na manutenção da qualidade mínima do serviço,
esquecendo o principal e mais importante conceito da administração
estratégica de marketing, ou seja, o atendimento das
necessidades do cliente.
A Universidade Corporativa
Principalmente devido a sua origem, que aconteceu dentro do
contexto empresarial, a universidade corporativa tem muito claro
essa noção de que marketing é uma estratégia que visa atender
as necessidades do cliente que, neste caso, trata-se da própria
empresa empreendedora. O surgimento da universidade corporativa
atendeu à uma necessidade cada vez mais freqüente no mercado, a
de profissionais atualizados, dinâmicos, reciclados e capazes de
assumir responsabilidades delegadas e compartilhadas. Porém
parece que as empresas tem tido dificuldade em encontrar esse
perfil ideal entre os alunos formados pelas faculdades. A saída
encontrada pelas grandes empresas para essa situação parece ser
o treinamento intensivo e a complementação de conhecimentos técnicos
através da montagem de suas próprias escolas criando assim um
novo segmento do mercado educacional.
É importante deixar claro que apesar da denominação "universidade"
essas escolas não são reconhecidas pelo Ministério da Educação
como estabelecimentos de ensino superior. Porém esse parece não
ser o foco de atenção das empresas, para elas o importante é
possibilitar ao funcionário o acesso a um sistema de aprendizado
em que o conteúdo seja utilizado prontamente em suas
necessidades profissionais diárias.
Orientação para o Mercado
Já são mais de trinta as grandes empresas que se lançaram
na empreitada de projetos de educação corporativa. Essa não é
uma idéia nova, foi baseada em experiências norte americanas
surgidas a algumas décadas da mesma constatação de que a
universidade convencional daquele país não estava atendendo as
necessidades de treinamento e atualização tecnológica de seus
funcionários. Essa é uma estratégia básica de marketing, ou
seja, o processo de criação de um empreendimento deve
primeiramente pesquisar as necessidades dos clientes para depois
projetar, determinar o preço, divulgar e distribuir um
determinado produto ou serviço.
É fato de que essa é a estratégia que as empresas, pelo
menos as de sucesso, adotam na elaboração de seus planos estratégicos,
daí a facilidade com que implementam suas universidades
corporativas, principalmente se consideramos que o lucro não é
uma preocupação nesses empreendimentos.
Se, no entanto, o leitor se questionar sobre a viabilidade do
ponto de vista financeiro, não encontrará uma resposta fácil
para a decisão de montar ou não uma escola corporativa. Parece,
porém, que várias empresas estão começando a perceber um
maior resultado quando comparado com seus antigos sistemas de
treinamento. Um curso de Pós-graduação do tipo MBA pode
custar, para um único funcionário, algo em torno de R$ 20.000,00
anual, enquanto que algumas empresas tem conseguido reduzir esse
valor para a metade com cursos planejados para suas necessidades
específicas. Outra forma de reduzir despesas para as empresas é
a compra de pacotes de um mesmo curso.
Preocupação com o curto prazo
Outra característica desses cursos é seu foco no curto
prazo, ou seja, a preocupação principal na formatação desse
tipo de curso é o atendimento das necessidades imediatas do
funcionário e consequentemente da própria empresa.
Diferentemente da universidade convencional, não está entre
suas maiores preocupações a formação básica do aluno nem uma
formação que se reflita no longo prazo, ou sua implicação
social.
Talvez o único investimento a longo prazo possa ser o de
algumas empresas, principalmente multinacionais, que investem
alguns milhões de reais anuais em parcerias com instituições
publicas ou particulares, em que alunos recebem bolsas mensais e
são montados laboratórios de última geração com equipamentos
produzidos por essas empresas. Essa é uma estratégia legítima
de foco mercadológico em que serão formados não só
profissionais que serão contratados pela própria empresa
financiadora do programa mas outros que serão absorvidos pelo
mercado e "acostumados" a utilizar aqueles determinados
equipamentos e tecnologia.
A Universidade Particular
A universidade particular, principalmente devido ao ambiente
cultural e educacional em que foi concebida, ainda carrega muitas
características da universidade pública, esta sim com pouca ou,
em alguns casos, nenhuma preocupação com o mercado. Apesar de,
atualmente, já não ser considerado pecado uma faculdade ter
lucro, sua formação segue um roteiro diferente do utilizado em
empresas tradicionalmente comerciais. Normalmente surge da
iniciativa de um indivíduo, ou de um grupo de educadores, que
resolvem montar uma instituição. O impulso que leva à construção
desse empreendimento raramente tem uma preocupação nas
necessidades do cliente e sim na disponibilidade de recursos
humanos e financeiros para a montagem do negócio.
Para piorar um pouco a situação do ponto de vista de estratégia
de negócio, a faculdade se vê com a necessidade de atender às
exigências do MEC que, com toda razão, está preocupado com a
qualidade do serviço que a faculdade se propõe a oferecer. A
necessidade de adequar-se aos padrões do MEC, leva a instituição
a compor seu quadro docente com professores já experientes e
capacitados, mas que, algumas vezes carregam um conservadorismo
acadêmico.
Orientação para o Produto
Dessa forma o processo de criação do serviço oferecido por
uma faculdade pode ficar invertido, ou seja, primeiro é definido
qual o produto (leia-se curso) que será oferecido, depois monta-se
uma estrutura mínima que atenda às exigências do MEC, a seguir
é definido o preço a ser cobrado dos alunos, dedica-se então
à divulgação e captação de alunos, para finalmente adequar o
curso e seus conteúdos curriculares e efetuar as devidas adaptações
às necessidades do mercado.
O equilíbrio
Algumas universidades encontraram nos cursos seqüenciais uma
alternativa para diminuir o distanciamento com o mercado,
oferecendo cursos com adequação dos conteúdos curriculares às
necessidades do mercado. A Universidade Anhembi Morumbi é um
exemplo dessa estratégia oferecendo a formatação de cursos sob
medida para empresas e instituições. As aulas podem acontecer
nos campi da universidade ou mesmo nas instalações da entidade
parceira. Além de facilitar a vida dos alunos que tem
dificuldade para cursar as aulas nas instalações da Anhembi
Morumbi os créditos obtidos nesses cursos podem ser usados para
eliminar créditos em uma futura graduação. Esse tipo de formação
ainda sofre dificuldade em ser reconhecido pelo MEC pois os
cursos seqüenciais são definidos por "campos do saber"
diferentemente dos de graduação (bacharelado) que são
definidos por "área de conhecimento". Acredita-se até
que o conselho Nacional de Educação (CNE) poderá rejeitar
cursos com propostas idênticas às da graduação.
Preocupação com o longo prazo
As empresas de ponta, que estão na vanguarda do atendimento
das necessidades do cliente, da sociedade e do meio ambiente já
começam a planejar sua atuação com preocupação no
atendimento a um consumidor crítico e consciente. Do ponto de
vista da estratégia do marketing societal que foca as
necessidades desse cliente, da sociedade e do meio ambiente no
curto, médio e longo prazo, quase não existem universidades
particulares em condição de se adequar à essa estratégia.
Paradoxalmente a universidade pública ainda detém a maior
vantagem na formação de um aluno com conteúdo que lhe será útil
mesmo depois de décadas de diplomado e com preocupações
sociais e de preservação do meio ambiente. Sem se dar conta,
elas adotam a estratégia do marketing societal.
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(c) Direitos Reservados: Alípio Ramos Veiga-Neto
O Prof. Dr. Alípio Ramos Veiga Neto é professor universitário de marketing e psicologia do consumidor. É professor de mestrado e pesquisador em Segmentação Psicográfica, Comportamento de Consumidores e Negociação. Doutor em Psicologia do Consumidor e Mestre em Psicologia Educacional pela PUC-Campinas tem pós-graduação em Marketing pela Escola Superior de Propaganda e Marketing - ESPM. É consultor de marketing educacional e desenvolvimento da pesquisa científica em universidades de vários Estados do Brasil. Conta com inúmeros artigos e publicações em periódicos científicos. Desenvolve pesquisas, realiza palestras e treinamentos em aplicação de estratégias de marketing com orientação societal. |