Prof. Dr. Alípio Ramos Veiga Neto
Áreas
de atuação: Marketing, Comportamento do Consumidor e Negócios Internacionais
Consultor
de Marketing Educacional e Pesquisa Científica
Em universidades particulares de
vários Estados do Brasil
Professor
orientador no Mestrado em Administração
UNIFOR
- Fortaleza - Ceará – Brasil
Diretor
da Industria Gigaplast
GIGAPLAST
- Morungaba - São Paulo – Brasil
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publicado em: Veiga-Neto, A.R. (2001) Líderes Educacionais - Revista Ensino Superior. julho/2001, p. 38-40
Líderes educacionais
A direção das universidades precisa estimular os coordenadores de cursos a assumirem mais do que uma postura acadêmica
Uma das expectativas que acompanha o dia a dia de muitos reitores e diretores de faculdades relaciona-se com a atuação de seu corpo de Coordenadores de Cursos. A dúvida reside em considerá-los como meros representantes do corpo docente ou assumir suas posições como gestores de unidades de negócio?
Como construir o "coordenador ideal"?
Recentemente o Prof. Edson Franco, presidente da Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES) e Reitor da Unama, apresentou um excelente estudo relativo às funções e encargos dos Coordenadores de Cursos. Sugere, nesse estudo, que essa função é entendida como o "gerente" ou "dono" do curso, mas que na prática predominam, na concepção geral, apenas os encargos acadêmicos do cargo que ocupam.
O Prof. Franco identifica quatro funções distintas do Coordenador de Curso: as funções políticas; as funções gerenciais; as funções acadêmicas e as funções institucionais.
Ainda que à primeira vista o estudo transmita a idéia de um "Super Coordenador de Curso", uma leitura mais atenta possibilita o entendimento de que a maioria desses profissionais já executa, de forma informal, grande parte dessas funções. Surpreendentemente, porém, em muitas instituições o maior entrave para o bom desempenho desses Coordenadores está localizado exatamente naqueles que deveriam delegar responsabilidades: a reitoria ou a direção geral.
Liderando líderes.
Aparentemente existe um certo temor, por parte da direção superior, de que se perca o controle sobre os cursos ou ainda que surja algum tipo de levante revolucionário, algo como "a revolta dos tenentes". Pode se incluir nessa lista de medos as questões financeiras e salariais.
Ton Peters, famoso por suas brilhantes idéias sobre administração, sugere estarmos vivendo em um ambiente no qual nossa vida profissional está repleta de altas apostas, grandes riscos, incerteza, ambigüidade e desempenho rigoroso, e que, nesse caos, uma nova forma de liderança deve emergir como o diferencial estratégico mais importante no mundo dos negócios: o líder de líderes. É isso, muito simples, líderes trabalham com líderes. Líderes não criam seguidores, criam mais líderes.
Um estratégia simples de marketing: a direção deve cercar-se de líderes, para que possa transmitir-lhes o poder de descobrir e criar os seus próprios destinos.
Transferindo Poderes
Warren Bennis, presidente e fundador do Instituto de Liderança da Southern California University, desenvolveu uma pesquisa com 90 líderes reconhecidos da iniciativa privada, a maioria da lista Fortune 500, em que detectou que bons líderes transferem poderes, responsabilidade e autonomia a seus subordinados, aumentando a motivação sem precisar instituir um sistema de prêmios e castigos.
Para se implementar um sistema de gestão em que os Coordenadores de Cursos atuem como gestores estratégicos, é essencial que a direção encare a mudança como uma via de mão dupla, ou seja, a gerência deve ser participativa em todos os aspectos, não somente naqueles que atendam aos interesses da direção. A prioridade é a instituição, o investimento é no atendimento das necessidades dos clientes e a conseqüência é rentabilidade no médio e longo prazo para os acionistas, no caso de instituição particular. Essa estratégia não difere muito para o caso de instituições públicas ou sem fins lucrativos, apenas que a conseqüência é o crescimento e perpetuação da própria instituição.
Confiar na confiança
Tom Peters ainda salienta a necessidade de se confiar na confiança: Como líder, necessito de alguém em quem possa confiar, e como subordinado, confio em um líder que aparece, faz as coisas mais difíceis e depois volta no dia seguinte cheio de vitalidade. Muito dessa confiança é conquistada dando uma causa a cada pessoa. As pessoas dão suas vidas por uma causa, não medem esforços e nem o tempo quando estão envolvidas em uma causa. Mas por um negócio elas apenas trabalham.
A "empresa" de educação tem a vantagem de permitir proporcionar boas causas a seus colaboradores, afinal estão lidando com o desenvolvimento de pessoas, com a preparação de profissionais e, em alguns casos mais radicais, estão promovendo mudanças sociais.
Porque então não confiar em seus colaboradores? Porque não transformar Coordenadores de Cursos em multiplicadores de marketing de relacionamento? Para que tanto investimento em propaganda se pode-se dispor de milhares de divulgadores potenciais?
Seth Godin, autor do livro Marketing de Permissão (ed. Campus) aborda de forma maestral a "idéia-vírus". Sugere que, na nova economia, os consumidores geraram anticorpos resistentes ao marketing tradicional e propõe como alternativa, que se crie um ambiente no qual as pessoas se encarreguem, por si mesmas, de difundir as idéias.
Qual ou quem é o produto?
A proposta de "idéia-vírus" pode ser facilmente entendida ao se refletir sobre qual ou quem é o produto de uma instituição educacional. A idéia mais simplista é a de que o produto é a educação, o conhecimento ou o serviço educacional, mas quando se amplia a visão sobre quem é o utilizador final do conhecimento transmitido ou gerado em uma instituição a resposta conduz para o mercado ou a sociedade portanto, desse ponto de vista, o profissional que colocamos no mercado é o produto final da instituição e a "qualidade" desse produto é a base para se estruturar a "idéia-vírus".
O consultor Waldez Ludwig, da MCG Qualidade, em uma de suas palestras para a área de educação relata ter conhecido um diretor que dizia que sua escola formava o cidadão, preparava para o mercado de trabalho e, se o aluno quisesse, preparava para o vestibular. Quando questionado sobre se o aluno já sabia o que era marketing, os conformes da qualidade e o significado de gestão ambiental ouviu do diretor um triplo "não". Ludwig atesta que tem gente que pensa que está preparando para o mercado de trabalho e está preparando para o "fantástico" trabalho de preencher "xizinhos". Num mundo em que a diferença será feita pelo talento, criatividade e capacidade de reinventar-se, a missão maior da educação é criar ambientes propícios ao desenvolvimento do talento e da inovação.
Conclusão: quem quiser contar com um Coordenador de Curso "gerente" ou "dono" do Curso, conforme indica o Prof. Franco, terá de investir no Endomarketing e na capacitação gerencial desses Coordenadores, ou então se contentar com pessoas que possam oferecer apenas o atendimento aos encargos acadêmicos do cargo.
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(c) Direitos Reservados: Alípio Ramos Veiga-Neto
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O Prof. Dr. Alípio Ramos Veiga Neto é professor universitário de marketing, negociação e psicologia do consumidor. É professor orientador no Curso de Mestrado em Administração da Universidade de Fortaleza tendo como linhas de pesquisas: Comportamento de Consumidores, Marketing Educacional e Negociação Internacional. Doutor em Psicologia do Consumidor e Mestre em Psicologia Educacional pela PUC-Campinas tem pós-graduação em Marketing pela ESPM. É consultor de marketing educacional e desenvolvimento da pesquisa científica em universidades de vários Estados do Brasil. Conta com inúmeros artigos e publicações em periódicos científicos. É ainda diretor da indústria Gigaplast. |